Sorveteria da Eliana

Minha irmã ganhou uma dessas há muitos anos já. Ela era bem pequena e pediu muito para meus pais. Ficava fascinada em poder fazer algo de comer com um brinquedo, eu acho. Não vou negar que usamos poucas vezes, dava um certo trabalho fazer o sorvete...Era necessário colocar cubos de gelo e colheres de sal em um tambor de metal. Depois fazíamos a mistura de leite, achocolatado e maisena colocavamos no brinquedo junto com o tambor e da-lhe girar a manivela que como por mágica fazia o sorverte se formar. 

Rendia pouco sorvete e era trabalhoso para uma criança fazer sozinha o doce. Ficou encostada pelos cantos da casa, até hoje enquanto arrumávamos o salão (uma espécie de sotão com muitas janelas que usamos para festas) de nossa casa. Jogamos algumas coisas fora. Outras deixamos em caixas que funcionam como "pré-lixos", ou seja, mais cedo ou mais tarde o destino será ou a reciclagem, ou o bazar da igreja, para coisas em bom estado, mas que foram pouco ou nunca usadas. 

Acho que esse ato de desprendimento das coisas acontece em épocas definidas da vida. Pelo menos uma vez por ano para a "virada", em términos de namoro/casamentos, ao fim dos anos escolares...etc. Eu gostaria de conhecer a a vida de outras pessoas para saber o que as faz guardar e jogar as coisas fora. Será que existem mais pessoas como eu que gosta de arquivar lembrancinhas de tudo? (hoje por exemplo foi a primeira vez que fui ao Starbucks, então guadei a "luva de copos" da bebida - já que não estava suja - e coloquei a data de hoje). 

Ausência no blog justificada por: TCC, pelo menos a nota foi 10.

Sobre escrever, mais uma vez...


Existe um mundo de coisas que podemos fazer, porque as pessoas adoram analogias, será que um dia encontrarei alguém que prefira ser 100% direto. Fui criada sabendo explicar o mundo por meio de analogias.

Então aqui vai mais uma.

Escrever para mim é como tocar piano. Você primeiro aprende as notas (que são as letras), daí os compassos (que são as sílabas), daí os versos (que são as frases) e então as canções (que são os textos, crônicas, peças, livros...).

Escrevo como quem toca piano, com amor. Pensando como cada frase pode se unir a outra de forma harmoniosa, e se não for um texto doce, como cada frase pode se unir a outra de forma lógica.

Componho meus textos como quem compõe uma sinfonia, com o espírito, tomada de toda emoção que caiba e que consiga passar do meu coração e da minha cabeça para minhas mãos e então o papel.

Se as letras saem trocadas, é a emoção do concerto, quando escrevo no teclado do computador me sinto ainda mais num piado, pois tenhos que escolher as teclas, e fazê-las se combinarem.

Como eu amo escrever!!! A arte mais linda. A palavra escrita nunca se vai. Aquilo que está escrito é aquilo que valhe, é a lei. Aquilo que está escrito, ferre, marca, perpetua. Aquilo que está escrito mantêm vivo.

Me leva Maurício Kubrusly...


Quem anota nunca esquece, quando muito perde. Por isso que Maurício Kubrusly anda sempre com um bloquinho de anotações. O jornalista esteve terça- feira (22) no SESC Consolação por conta da programação do Dia Mundial do Turismo "Brasileiro que nem eu...". Muito ativo, Mauríco, que se diz um ex carioca, fala com as mãos, não parou sentado e ficava próximo das caixas de som enquanto as pessoas faziam as perguntas. Não sossegou até fazer o público em pé no fundo da Convivência se sentar próximo ao palco "Podem sentar que é de graça, tem até cineminha".

Começou contando um dos momentos críticos do Especial Me leva Brasil no Fantástico, quando a Globo decidiu cortar gastos e o caminhão que viajava pelo País produzindo as reportagens voltou para garagem. Com riqueza de detalhes falou sobre sua curtíssima reunião com o chefe de jornalismo na Rede Globo na época, Evandro Carlos Andrade: "Ele disse pra mim, 'Em duas linhas, qual sua ideia?' E eu tinha me preparado para um grande discurso e disse somente: contar histórias de pessoas simples que moram em cidades afastadas dos grandes centros. Ele aceitou."

Kubrusly disse que o que mais gosta nas reportagens é de dar cidadania para as pessoas "Quando aquela gente simples vem para o sudeste perde seu nome e vira 'Piauí', 'Ceará'...Aí aparece uma reportagem no Fantástico sobre uma cidadezinha do Piauí. Ele chega no dia seguinte para as pessoas e diz: 'Viu? Existe!' Porque para o sudeste, o norte e o nordeste são coisas muito distantes". Outro exemplo de reconhecimento nas ruas de suas reportagens são os taxistas "Sempre que tomo um táxi é uma festa". Segundo ele, uma vez um taxista tirou fotos com sua família em todos os ambientes que apareceram numa reportagem feita em sua cidade natal. Ele andava com as fotos no porta-luvas para "provar" para as pessoas que aquele lugar existia, e tinha aparecido na televisão.

Uma das aventuras marcantes de Mauricio foi fazer a maior viagem de ônibus do Brasil. A chamada "Linha dos Derrotados" sai do Rio Grande do Sul na sexta-feira e vai subindo até chegar em Fortaleza na terça-feira. "Geralmente nessa viagem estão pessoas do norte/nordeste que vieram pro sudeste e não deram certo, por isso 'Linha dos Derrotados'". Explica. O ônibus não sai do sul cheio, mas vai enchendo durante a subida. São 40 minutos de parada pra almoço/janta/ banho e 10 minutos no meio da tarde e no meio da manhã. Segundo o jornalista é incrível como as pessoas acham alternativas pra passar o tempo. Com certeza a mais escandalosa é contar jegue durante o que ele chama de "maior retão da minha vida, que fica em Brasília". Essa mesma linha, quando sai de Fortaleza em direção ao Rio Grande do Sul chama-se Linha da Esperança.

Ainda foram mostradas três reportagens que compõem o DVD e o Livro Me Leva Brasil (Edições Globo, 2005, 416 páginas, R$32,90 reais) sobre pessoas simples, e ao mesmo tempo extraordinárias, e que segundo Maurício, mereceriam virar ponto turístico. Na sua opinião o Brasil é muito mais que o Corcovado (RJ) e o Carnaval da Bahia, e o Turismo teria que criar roteiros que contemplassem essa diversidade brasileira. É isso que o SESC SP tem como objetivo em seu programa de Turismo Social, roteiros alternativos e educativos a preços populares. "Inclusive, o SESC tem pousadas ótimas em lugares muito interessantes", elogiou ele.

Chegando ao seu final, a palestra foi aberta para perguntas. Uma delas foi qual viagem o jornalista tinha vontade de fazer agora "A primeira que me vem na cabeça é ir ao Paraná conferir a história de um homem que acha que existe algo estranho no lago perto de sua casa, então comprou um escafandro daqueles bem antigos, de ferro, com parafusos e tal...". As pessoas ainda estavam curiosas sobre como as matérias são produzidas. Ele explicou que a Globo tem afiliadas em todo o país, chamadas "praças" no jargão jornalístico, então sempre que eles recebem a dica de alguma história, pedem para alguém da praça checar, se não a produtora do Me Leva Brasil, de São Paulo, vai. Depois que tudo foi verificado a viagem é marcada pelo Departamento de Viagens e Reservas da Globo e Maurício viaja com uma pessoa, ou a produtora, ou o cinegrafista. Chegando na localidade eles esperam contar com a ajuda da afiliada para emprestar um carro e equipamentos.

Estava na platéia um estudante de Lazer e Turismo da USP Leste, ele fez a observação de que quando o Turismo descobre algo, ele destrói. Kubrusly recomenda apenas que sejam pensados roteiros que preservem o País e o ressaltem em sua diversidade "O Brasil é uma maravilha apesar dos políticos", finalizou.


na mesa do bar

Um São-paulino fanático, um palmeirense moderado, um flamenguista em terreno inimigo, um corinthiano quieto e as respectivas namoradas. Sete jornalistas e um engenheiro perdido no meio. Antes de discutir o futuro do jornal impresso e como as notícias de esporte andam um lixo o assunto foi futebol, claro.

Primeiro xingaram os jogadores, depois os técnicos e aí os cartolas. Depois falam que jornalistas massacram os mais fracos, a culpa é dos cartolas e quem leva são os jogadores. Mas ontem não, na mesa do El Kabong (Pinheiros) sobrou pra tudo que foi lado, até o gramado do jogo de 2003 que ajudou o Julio César (?) fazer gol foi lembrado.

Sobrou para as namoradas fofocarem sobre a vida dos colegas da faculdade e dos percalços com o TCC. Falar sobre angustias, diferenças de orientadores. Depois todos entraram na conversa para falar nas diferenças dos jornais do Rio e SP. Daí a aniversariante contou que foi pro Rio e se apaixonou...Agora aguenta o carioca se inflar de orgulho "Mas pra trabalhar você veio para São Paulo, né?" emendou o são-paulino.

Me surpreendi que a conversa não tivesse rumado para queda do diploma. Pensando bem, ainda 'bem'. Pra quer remoer mais. Mesa de bar pra jornalista é sinônimo de reunião de pauta. Uma classe que não para de trabalhar, onde tudo pode ser "uma grande história". Até um aniversário num mexicano com sete jornalistas e um engenheiro.

TCCendo

Meu TCC tem trilha sonora, as pessoas dizem que só penso nele...Vou dizer porque:

Saí de casa à procura de ilusões
(Meu livro indiretamente é sobre moradores de rua)
Coincidências e confirmações
Alguém com seu nome, alguma lembrança
(Conheci o tema através de uma amigo com quem não conversava há tempos)
Alguma palavra, aquelas canções
O mundo assim parece tão pequeno
(Por meio das pesquisas e entrevistas vi como existem realidades e pessoas diferentes)
continuo tendo visões
Depois que nos encontramos
eu esqueço todo tempo
que fiquei sem te ver
(Depois que entreguei o pre projeto vi que não podia voltar atrás)

Fora tanto que eu me perco
fora tudo mais que eu penso
eu só penso em você
só penso em você
Eu só penso em você
Só penso em você
Só penso em você
Só penso...
(Precisa de mais explicação???)

Fiquei em casa a espera de nada
(O tempo que fico em casa só cuido do TCC ou coisas afins)
Nenhuma visita, nenhuma chamada
(E as que aparecem ando recusado)
Ninguém com seu nome, nem sua feição
(Como não existe nenhum trabalho parecido anterior a responsabilidade é maior)
Nenhuma esperança, nenhuma canção
O mundo assim parece tão imenso
E eu continuo vivendo em vão
(Se não ficar perfeito terei vivido em vão mesmo)

Acessem: http://www.noticiasacao.blogspot.com/